Aqui vai um panorama de como a inadimplência bateu recorde no Brasil recentemente — os números e os fatores envolvidos. 👇
O que dizem os dados recentes
- Segundo o CNDL em parceria com o SPC Brasil, em setembro de 2025 havia cerca de 71,86 milhões de consumidores com nome negativado — ou seja, inadimplentes — o que representa 43,14% da população adulta.
- Em agosto de 2025, a CNC apontou que 30,4% das famílias brasileiras tinham contas atrasadas, o maior patamar desde o início da série histórica da pesquisa, em 2010.
- Os registros mostram que a tendência de alta é persistente: de março a julho de 2025 os valores de inadimplentes foram subindo de forma constante — em março eram ~69,66 milhões, em junho ~71,28 milhões, e em julho ~71,37 milhões.
Quem está sendo mais impactado
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Grande parte dos novos registros de inadimplência é de dívidas com atraso de 3 a 4 anos — dívidas com maior tempo de vencimento e provavelmente mais difíceis de renegociar.
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Entre famílias, os problemas financeiros têm se concentrado nas de menor renda, especialmente aquelas que ganham entre 3 e 5 salários mínimos.
O que está por trás desse crescimento
Alguns dos fatores que ajudam a explicar esse recorde de inadimplência:
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A combinação de juros elevados, inflação persistente e aumento no custo de vida tornou mais difícil para muitas famílias equilibrar orçamento e pagar dívidas.
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A oferta de crédito continuou disponível, mas com maiores encargos — o que, somado ao momento econômico, elevou o risco de atrasos.
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A profundidade da crise atinge não apenas consumidores, mas também empresas: o número de empresas negativadas também bateu recorde recentemente, o que demonstra como a inadimplência é um problema estrutural no país.
Consequências sociais e econômicas
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Com um percentual tão alto de inadimplentes, cresce a fragilidade financeira das famílias, o que reduz poder de compra e pode agravar desigualdades sociais.
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Para o mercado e para os credores, mais inadimplência significa maior risco, menor confiança e, possivelmente, menor oferta de crédito no futuro — ou crédito mais caro.
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A pressão sobre serviços públicos e políticas sociais pode aumentar, pois famílias com dívidas acumuladas tendem a recuar em consumo, investimentos e até educação ou saúde.
Inadimplência por região (2025)
| Região | % de famílias inadimplentes | Observações |
|---|---|---|
| Nordeste | 36,2% | Maior percentual, impacto forte em estados com menor renda média. |
| Sudeste | 28,5% | Apesar de menor %, concentra maior número absoluto de inadimplentes por ser a região mais populosa. |
| Sul | 25,3% | Ainda apresenta crescimento constante, especialmente em pequenas cidades. |
| Centro-Oeste | 27,1% | Influência da inadimplência rural, com dívidas no setor agrícola. |
| Norte | 33,0% | Crescimento expressivo em cidades menores e na população mais jovem. |
Fonte: CNC e CNDL, 2025
Inadimplência por faixa de renda
| Faixa de renda mensal (salários mínimos) | % inadimplentes | Observações |
|---|---|---|
| 1 a 2 SM | 45% | Maior vulnerabilidade; atraso frequente em contas básicas e empréstimos pequenos. |
| 3 a 5 SM | 37% | Crescente dificuldade em manter crédito e financiamentos, como cartão e consignados. |
| 6 a 10 SM | 22% | Mais resilientes, mas ainda impactados por juros e inflação alta. |
| Acima de 10 SM | 10% | Menor incidência, mas ainda há atrasos em financiamentos de veículos, imóveis e crédito pessoal. |
Observação: SM = Salário Mínimo brasileiro (em 2025, R$1.540,00 aproximadamente)
Observações importantes
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Nordeste e Norte lideram os percentuais, enquanto Sudeste concentra mais inadimplentes em números absolutos.
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Famílias de baixa renda continuam sendo as mais afetadas, refletindo desigualdade social e maior exposição a juros altos.
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O tempo de atraso das dívidas tende a ser maior nas faixas de menor renda, com dívidas de 1 a 4 anos ainda não quitadas.
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Crédito consignado e cartões de crédito são as principais fontes de inadimplência entre as famílias com renda de 3 a 5 salários mínimos.


